Por Elaine Castelo Branco*
O silêncio às vezes caminha entre nós como uma brisa suave,
tocando discretamente as folhas das árvores da alma,
acariciando cada sombra que ousa se aproximar do coração.
Ele não se impõe, não grita, não exige atenção.
Sabe esperar, paciente, observando os contornos do mundo,
registrando cada curva do caminho, cada gesto que passa despercebido.
O silêncio é como um lago profundo,
onde as pedras do rio da vida descansam sem pressa,
e as águas guardam o reflexo do céu, mesmo quando nublado.
Ali, a indignação se dissolve em calma,
transformando inquietação em clareza,
e coragem em força contida, pronta para o instante certo.
Quando o silêncio fala, ele ensina a ouvir o invisível,
a perceber as nuances que escapam às palavras,
a entender que cada pensamento e cada emoção têm seu tempo,
e que a sabedoria floresce na paciência de quem observa.
É o silêncio que diz, sem precisar de som:
“Não concordo com o que vejo,
mas aguardarei o momento em que minhas ações possam trazer luz,
sem ferir, sem precipitar, apenas transformando.”
Quem aprende a escutá-lo descobre uma linguagem sagrada,
uma dança entre o sentir e o agir,
uma ponte entre a alma e o mundo,
onde a verdadeira força reside na calma e na reflexão.
Elaine Castelo Branco
Promotora de Justiça, atuando na defesa de direitos constitucionais, fundamentais e direitos humanos em Belém. Escritora e palestrante motivacional, Elaine é especialista em liderança e em múltiplas intervenções no Transtorno do Espectro Autista (TEA), combinando experiência jurídica e social para inspirar e transformar vidas.
Voluntária de Lions Internacional


